sábado, 12 de setembro de 2009

Meus pais me educaram pra que eu fosse independente. Isso rendeu frutos. Hoje me viro facilmente em várias situações. Ainda peno em algumas vezes e muitas ainda não vivenciei, mas tamo indo.
Uma das frases ditas por minha mãe que mais me marcou tá escrita num livro com o qual eu a presenteei há alguns anos no dia das mães: "O maior diploma de uma mãe bem sucedida é um filho independente." Posso dizer que minha mãe foi PhD nisso.

Dia de sábado a noite, sem empregada em casa este que vos fala num pé e noutro pra sair.Até que, após o jantar, escuto: "Ei mocinho: pode tratar de lavar a louça." Agradeci a Deus por termos comido pizza e me animei pra fazer espuma. Pois é, até esse dia eu era uma negação nessa matéria. Na verdade lavar a louça era uma diversão que resultava geralmente numa pia bem melada/molhada. Nesse dia recebi um intensivão da vida na cozinha e notei que eu realmente ajudava, mas não como devia (e que minha mãe me deixava lavar a louça por bondade). Existem métodos para lavar e enxugar a louça, pra arrumar, recolher e limpar a mesa. Primeiro se lava e enxagua os utensílios quebráveis (pois é) coloca-os do lado da pia em que está o escorredor de pratos e após isso lava-se as outras coisas deixando os talheres por último. De modo que enquanto algumas coisas escorrem o excesso de água, outras estão sendo ensaboadas e outras guardadas. Notei que o ganho de tempo é enorme desse jeito. Sou um profissional agora. Esses dias posto aqui que fiz meu primeiro feijão sozinho.

Aqui na minha rua abriu uma lanchonete nova do tartarugas. Point em fim de festa. (pra quebrar de vez quem tá dirigindo). Parei esses dias lá pra conhecer o local e dar um tempo antes de voltar pra casa, tentando ver o sol nascer. E pra minha surpresa, me deparei com algumas senhoritas de mais idade descendo no local visivelmente também em pós balada, acompanhadas de alguns comentários espirituosos: "chegaram as gatinhas!"
Não poderia ser diferente, passei a observá-las. Por ser o mais novo da família e ter o hábito de conviver com pessoas mais velhas eu tava acompanhado de dois amigos de respectivamente 25 e 23 anos. E eles notaram que eu não parava de olhar pra a mesa delas. Um deles sorriu e soltou: "Vamo pra casa, Rafa tá com saudade da mãe." terrminei meu açaí e fui ao banheiro. Quando voltei notei risadas na mesa delas e que eu era o motivo da gargalhada geral. Cheguei em minha mesa e sugeri irmos à mesa delas. Eles se entreolharam e aí é que eu ouvi. Após as demonstrações de amor pela minha pessoa, expliquei a situação, novamente se entreolharam e decidiram ficar na mesa deles e ver no que dava.
Fui só. Pedi pra sentar numa cadeira vaga que tinha na mesa delas. E acompanhado de umas caras de espanto bem interessantes. Sentei-me. Antes de tudo elas disseram que não mordiam e que meus amigos podiam se sentar também. Explicaram com uma descrição impressionante que entre nós não rolaria nada, que elas tinham idade para serem nossas mães e que tinham filhos mais velhos do que nós três. Descobri que eram todas divorciadas e que sou parecido com um ator perdido no mundo. Enfretamos uma bateria de perguntas bem divertidas (e contrangedoras) sobre a noite e sobre nossas vidas: " O que fazem?" "Estavam aonde?" "Ficaram com quantas hoje?" E depois de boas risadas uma delas terapêuta tomou a frente da conversa e nos deu conselhos que escutamos todos os dias. Mas que são realmente iomportantes.

Decidi transcrever alguns:

Aproveite bastante, a hora é essa
“O tempo ideal para sair e curtir bastante é essa fase da vida de vocês . Depois do casamento ou dos filhos, as coisas mudam bastante. A gente deixa de pensar só na gente e passa a pensar em outros primeiro. E um dos motivos que podem estragar um relacionamento é o sentimento de juventude e liberdade desperdiçada.”

Aprenda a determinar prioridades e responsabilidades desde já
“Sair e se divertir é muito bom. Mas tem o amanhã e o futuro que é importante de ser planejado logo cedo. Faça uma poupança, plano de previdência e invista bastante na sua formação profissional. Independência financeira é importante pra auto-estima e também evita problemas durante um relacionamento. Contas a pagar e saldo negativo na conta podem balançar qualquer paixão.”

Evite se deixar levar por ilusões e promessas
“A vida não é um conto de fadas, ninguém é perfeito, as pessoas não são sempre como a gente imagina que são e decepções sempre existiram. Escolher alguém pra iniciar uma história e algo complexo e pode ser um jogo de sorte. Não importa quanto tempo passou entre namoro e o casamento. Tudo pode mudar (pra melhor ou pior) com a convivência.”
Aprenda com os erros dos outros, mas não deixe de arriscar.
“Nós estamos aqui dando um monte de conselhos baseados em erros que cometemos, certamente os pais de vocês já fizeram ou fazem o mesmo. Mas cada caso é uma caso. Não deixem de arriscar e apostar no que vocês acreditam. Você vai colher os frutos maduros ou podres do que você semeou.”

Uma delas interrompeu a conversa porque me lembro, já estava claro, e por isso ela iria ouvir poucas e boas da filha de novo por estar chegando aquela hora em casa. Mas antes ainda rolou mais um assunto:

O pior do casamento é a separação
“Por mais que você perceba que chegou um ponto que a convivência se torna insuportável, que não existe mais amor, a separação é dolorosa. Principalmente quando você se dá conta que não tem mais alguém pra dividir sua cama depois de anos. Muitas pessoas podem aparecer na sua vida depois, mas a confiança não será a mesma. E por isso, poucos que são aqueles que investem de novo no casamento. Casamento é bom, então faça tudo o que não faz parte dele antes de se casar.”

Tão aí, queria reencontrá-las... se meu blog cair na vista de algumas de vocês, façam contato. Somos rapazes interessantes. Vocês comprovaram, custa nada apresentar as filhas.

Rafael Andrade

P.S. Sobre o texto da semana passada:

"O verdadeiro cavalheiro é aquele que aplica as regras de comportamento com perfeito senso de oportunidade. Não é artificial e fingido quando ele exercita a gentileza e sabe que o primeiro teste para quem conhece as boas maneiras é tolerar as más.Ele sabe ouvir com atenção, ainda que o assunto não interesse a ele. Não é exibido. Possui uma conversa leve, inteligente e bem-informada, e sabe dosar perfeitamente a seriedade, conforme a situação exigir. Consegue intercambiar assuntos como política, futebol e religião sem partir para a polêmica ou para a ignorância.Utiliza uma linguagem elegante, fruto de pensamentos elegantes, prescindindo de palavrões, visíveis provas de desasseio mental. Normalmente, tem por hábito ceder o lugar aos idosos e às senhoras, assim como não se esquece de abrir-lhes a porta do carro. Numa calçada, caminha pelo lado do meio-fio, deixando o lado de dentro para elas.Cultiva a discrição e nunca está presente em rodas de fofoca. Ao se oferecer para acompanhar uma mulher, não insiste se ela recusa. Não abusa da bebida, é pontual e adota o hábito de enviar flores com propriedade, sempre acompanhadas de um cartão discreto e amável.Não acende o cigarro sem antes pedir licença – sempre levando em conta que, muitas vezes, as pessoas aceitam o cigarro só por educação. Levanta-se sempre para cumprimentar, toma cuidado com mulheres nas escadas e elogia sempre a beleza e elegância feminina, ainda que não concorde com alguma coisa - sabe que o importante é ser cavalheiro."

Maria Aparecida de A. Araújo, C0nsultora comportamental.

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