domingo, 17 de abril de 2011

Um rush infinito.

João Pessoa, como muitas outras cidades do Brasil, é uma cidade na qual vendem-se estatisticamente 4 carros para cada bebê que nasce; é, também, uma cidade na qual a taxa cobrada pelo serviço de transporte público é absurda, e, apesar disso mais absurdamente, se me permitem o comentário hiperbólico, esse transporte é insuficiente. O trânsito, ou a forma como ele flui, não é estruturado. São realizadas múltiplas mudanças no sentido das ruas, de mão única num sentido, para mão dupla, para mão única no outro sentido.
Existem influências histórico-culturais nesse comportamento, geradas pela falta de investimento nos tempos de antigamente, em transporte público, em especial o transporte ferroviário que não foi devidamente instalado no país pela falta de matéria-prima e pela agilidade do asfalto e das autoestradas. Pode-se inclusive (há a necessidade de vírgula antes e depois de ‘inclusive’?) inferir que seja essa influência fruto de nossa colonização. Da culturalização do país pautada na concentração de renda, de terras. Na estratificação social sem oportunidades para as classes menos favorecidas. Um feudalismo contemporâneo.
Apesar de tudo isso, o custo das ferrovias sempre foi menor. E se havia uma falta de matéria-prima para as construções, atualmente, a maior produtora de minério de ferro do mundo é uma empresa nacional, e, ainda assim, apenas três capitais brasileiras possuem metrô, e, ainda com poucos trechos subterrâneos.
Numa esfera nacional, existem diversos projetos para ampliação da malha ferroviária, de modo a aumentar a distribuição principalmente do transporte de cargas. A exemplo de países, que como o Brasil, possuem uma extensão territorial considerável, como a Rússia onde aproximadamente 80% do transporte de cargas é feito pelas vias férreas. Mas não só por essa distribuição, e sim porque o transporte ferroviário é altamente ecológico. Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o consumo de combustível por tonelada transportada em uma ferrovia é de cerca de 20% do consumo de uma rodovia. O trem de carga emite 70% menos dióxido de carbono (CO2) e 66% menos monóxido de carbono (CO).
Nos municípios, e assim trazendo de volta a problemática do trânsito e de sua estruturação. O metrô, mesmo que a céu aberto é uma mão na roda. É natural que o fluxo de automóveis diminua, contando com uma construção estruturada e com a tecnologia atualmente utilizada nessas obras. Infere-se seja inclusive mais confortável do que os outros meios de transporte público, que diminua-se a emissão de gases poluentes . E, além de tudo isso, calcula-se que os imóveis próximos às estações chegam a valorizar em 30%.
No entanto, caso continuemos, com tal tarifação, tal deficiência em estrutura e tal estagnação no desenvolvimento. Meu texto, minha sugestão e meus dados, apenas permanecerão impressas aqui e serão apenas idéias, dados e sugestões.
  • Desenvolvimento de materiais ecologicamente corretos para uso nas ferrovias, tais como:

Estudo e ampliação do uso de locomotivas movidas a biodiesel: cada tonelada de biodiesel B-20 consumido evita a emissão de 3,5 toneladas de CO2 que ocorrem no uso de diesel mineral.
Desenvolvimento de metodologia, a ser aprovada pela ONU, para obtenção de crédito pela não-emissão de carbono. As operadoras de carga vêm desempenhando um excelente papel, oferecendo padrões cada vez mais elevados de responsabilidade empresarial, social e ambiental, garantindo o crescimento sustentável do setor, com uma visão de futuro de participação decisiva na consolidação no desenvolvimento socioeconômico do país.
No tocante aos grandes centros urbanos, o transporte ferroviário – trens metropolitanos e metrôs –, através das grandes linhas-tronco, interligado com o sistema de ônibus para as linhas acessórias, possibilitará a redução das externalidades negativas, ou seja, congestionamento, poluição, acidentes, consumo de energia, entre outras do sistema ambiental, com a melhoria da qualidade do ar, revitalização do espaço público e consequente melhoria da qualidade de vida do cidadão.
Desse modo, torna-se um atrativo para o usuário do automóvel, que irá priorizar e utilizar o transporte público. A integração dos modais ferroviário e rodoviário propiciará o apoio à circulação não-motorizada (pedestres e bicicletas). A nossa indústria ferroviária está no mesmo nível de tecnologia das demais existentes no mundo, trabalhando com tecnologia de ponta, preparada para atender todas as necessidades – não só do sistema ferroviário brasileiro como também competindo através das exportações de seus produtos para outros países. Os eventos que vão ocorrer em futuro próximo, a Copa do Mundo e as Olimpíadas, exigirão meios de transporte eficientes e sustentáveis, conforme projetos existentes e muitos já implantados para expansões e novas linhas de metrôs, implantação de VLTs (Veículo Leve sobre Trilhos), monotrilhos e BRTs (‘Bus Rapid Transit’ - reestruturação, reconstrução da malha viária utilizada pelos ônibus).
Isso tudo será um passo para conduzir a uma eficiente, moderna e atualizada configuração dos transportes, com melhoria da qualidade de vida das populações das principais cidades do país.