Engraçado como com a globalização e a tecnologia temos tanta informação instantaneamente, como também temos a mente bitolada com uma rapidez intrigante e impressionante.
Bento XVI fez uma visita à África do Sul, e disse que condenava o uso de preservativos. Mesmo estando no continente com o maior número de contaminados pela Aids no mundo. Sem contar muita conversa, caíram matando em cima do líder religioso. Inclusive, uma das pessoas que mais criticou as palavras do líder da Igreja Católica foi uma líder de uma ONG do país que cuida do combate ao HIV. Além da França inteira, que disse que as palavras de Bento XVI eram uma ameaça. Mas esqueceram de contar que o pontífice sugeriu uma mudança nos comportamentos atuais, falou em humanização do sexo e em valorização da fidelidade. Peraí, ele não tá “meio certo”? Por que tanta reclamação, o cara tem que seguir os dogmas da Igreja, ele é um formador de opiniões! Certo ele! Os preservativos são a grande arma contra as doenças sexualmente transmissíveis. Mas o que o velhinho disse tá certíssimo, a banalização do sexo sem dúvidas agrava tudo isso. Mas esse não é o ponto principal desse texto...
Em contrapartida às palavras do Sr. Hatzinger. Iniciada na Inglaterra, a mais nova filosofia seguida pelos jovens europeus não é tão nova assim, um “remake” da juventude transviada de James Dean intitulada “Live fast, die young” caracteriza bem a mudança de comportamento que ocorre no mundo. Os ingleses deixaram de ser almofadinhas comportadinhos...
A geração dos anos 90 sem dúvida alguma tem uma mente bastante aberta, adaptável e crítica, nós observamos o mundo a nossa volta, desenvolvemos opiniões, e seguimos o que achamos conveniente, o problema é desenvolver a criticidade com informações tão supérfluas que se tornam obsoletas em segundos, acabamos achando que não temos tempo (e isso não acontece só nesses momentos). O multitarefismo, qualidade mais facilmente encontrada nos mais jovens dessa década, se caracteriza pela facilidade de se concentrar em várias coisas simultaneamente, bacana. Não é verdade? Eu sou multitarefas e acho ótimo, extremamente útil.
Então, temos um papa que tenta humanizar o sexo e jovens que valorizam a quase maquinação das vidas (curtir, fazer dinheiro, (talvez) constituir família e morrer)... É um paradoxo! Como será possível humanizar o sexo e deixar de usar preservativos e, além disso combater as DSTs se os jovens são bombardeados principalmente de informações equivocadas que não os permitem pensar de maneira crítica, torna o pensamento deles bitolado e os faz movimentar-se de acordo com a massa? Tomemos o exemplo da visita e das palavras divulgadas do líder religioso, qual o pensamento imediato que vem a nossas cabeças? Retrocesso, evidente! “Continuemos a viver nossas vidas “normalmente” pois os dogmas da(s) Igreja(s) são simplesmente ultrapassados...” Mas, observamos que a realidade não é essa, bacana, não? Deixamos de nos aprofundar de nos tornar críticos quanto ao que acontece em nosso redor, e nos tornamos uma massa uniforme. Sem sal, sem graça.
Rafael Andrade