Volto de viagem, a Veja me traz uma capa sem futuro. Não sei porque, mas tinha esperanças de me encher de notícias interessantes... Talvez a falta dos jornais tenha me deixado aéreo ao mundo. "O fim do efeito sanfona", "A guerra dos canudinhos" (vocês hão de concordar comigo, deve haver um aspirante a comediante de stand up na redação). A única coisa interessante mesmo, é a imagem da capa. No carnaval foi idiotice minha esperar alguma coisa diferente, foi como se ela (ela mesmo, construída com photoshop com formas de deusa) me dissesse com seios fartos, cochas impressionantes e um rosto inocente, como uma babá: "É carnaval..." .
Pompeu fala de J.D. Salinger num texto magistral que me fez querer reler O Apanhador, e ainda assim, vejo um erro no texto, provável que uma falta de atenção do revisor, mas Pompeu ficou mais humano pra mim. Quase um vizinho que tem longas conversas comigo a cada quinze dias, agora, me sinto até à vontade pra chamar ele de Roberto. Famigerada, Tessália comentou um discreto "eram só gemidos" debaixo dos famosos edredons da casa que brinda a ociosidade do povo brasileiro. E realmente, essa entrevista mudou minha vida. Do beijo de novela ao sexo de novela, ou de BBB.
Ganhei 4 dias de rei, diria, muito do que mais me agrada estava ao meu alcance num feriado que me fez repensar umas atitudes que ia tomar de maneira errada. Tive a oportunidade de conviver e conversar com um chato. Aquele, que tira brincadeiras com todo mundo que está hospedado próximo a ele, achando que essa liberdade do mesmo teto, anda junto a todos. Decidi ver até onde ia a chatice dele. Perguntei sua idade. E ele veio a mim com uma história de vida interessantíssima. E como fosse um enviado divino, comentou justo o que eu precisava ouvir. Não deixou de ser o chato do local, mas pra mim, tornou-se um chato com uma mensagem. Um salvador da pátria, que ele serviu com tanto fervor. Antes de ser professor de matemática.
Aprendi que quando duas pessoas convivem, existem diferenças, pontos de vista divergem e a graça do contato está na adaptação. No chegar ao ponto comum. No concordar. E que tudo isso exige paciência. Exige diálogo. Diplomacia é a chave das boas negociações, já dizem os teóricos.
E o feriado de vocês?
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